Cristão é preso e pendurado em posição de crucificação após se converter no Egito
- 29/04/2026

Um cristão copta foi preso e torturado após se converter a Jesus e tentar mudar a religião em seus documentos de identidade, no Egito.
Mansour Rezk Abdelrazek está detido na prisão do 10º Ramadã, no Cairo, desde julho de 2025 e enfrenta falsas acusações de "ameaça à segurança nacional".
Em 2016, Mansour deixou o islamismo e se converteu a fé cristã. Nas redes sociais, o cristão passou a compartilhar críticas ao Islã e enfrentou repressão do governo por causa disso.
Segundo o grupo de defesa Coptic Solidarity, o cristão foi acusado de estabelecer e liderar um grupo em violação à lei; ingressar em um grupo supostamente fundado ilegalmente; financiar o grupo; promover ideias e crenças consideradas prejudiciais à unidade nacional e à paz social; e demonstrar desprezo pelo Islã e desafiar seus princípios fundamentais.
Tortura na prisão
Na prisão, Mansour foi obrigado a passar por uma remoção de sua tatuagem cristã e foi pendurado em uma posição de crucificação durante horas.
Além disso, ele foi privado de necessidades básicas, incluindo alimentação, roupas e cuidados médicos.
O julgamento de Mansour Abdelrazek iniciou na semana passada no Cairo. No dia 21 de abril, a equipe de defesa do cristão apresentou um pedido de adiamento do processo para preparar uma defesa completa. O tribunal autorizou o adiamento e marcou a próxima audiência para 15 de junho.
A Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) classificou Abdelrazek como prisioneiro de consciência religiosa, declarando que ele foi detido por sua conversão e atividade religiosa.
"Durante a detenção, autoridades e detentos abusaram física e psicologicamente de Abdelrazek por sua conversão", denunciou a comissão.
Asilo e deportação
O cristão copta enfrenta perseguição há anos por sua fé. Em 2019, Mansour fugiu para a Rússia e conseguiu asilo por motivos religiosos através da ONU.
Porém, suas postagens sobre o Islã na internet incomodaram muçulmanos na Rússia e o governo russo o deportou para o Egito.
Ao chegar em seu país, Mansour foi preso e mantido incomunicável por cerca de 10 dias.
"As autoridades egípcias o interrogaram sobre suas crenças religiosas e o pressionaram a reconsiderar sua fé, a monitorar outros convertidos e pediram que ele excluísse suas contas nas redes sociais. As autoridades acabaram o liberando com instruções para não falar publicamente ou fazer proselitismo”, relatou a USCIRF.
Em julho do ano passado, o governo prendeu novamente Abdelrazek sem mandado, o acusando de continuar compartilhando suas crenças cristãs na web.
Pedido de visto humanitário
O cristão também está aguardando uma resposta de um visto humanitário para a Austrália, que ele apresentou em 2024.
“Sua noiva é cidadã australiana e apelou por intervenção urgente, criticando o que ela descreveu como a falta de engajamento diplomático significativo da Austrália", informou o grupo de ajuda Church in Chains.
O Instituto do Cairo para Estudos de Direitos Humanos divulgou uma carta de "apelo urgente", em nome de uma coalizão internacional de organizações de direitos humanos e defensores da liberdade religiosa, pedindo ao governo australiano conceda status humanitário ou de proteção à Mansour.
"O Sr. Abdelrazek se converteu ao cristianismo em 2016, após anos de reflexão pessoal. Desde então, ele suportou perseguições severas e sustentadas pelas autoridades egípcias, incluindo prisões arbitrárias repetidas, tortura e maus-tratos, divórcio forçado, separação de seu filho pequeno e vigilância contínua", afirma a carta.
"Sua experiência contradiz fortemente o Artigo 64 da Constituição do Egito, que afirma que 'a liberdade de crença é absoluta', mas na prática nega esse direito àqueles que deixam o Islã”.
O Egito ocupa o 42º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas de países mais difíceis para ser um cristão.







